SOBRE O MUDAR

Há alguns meses tenho refletido sobre mudanças. Mudanças de postura, mudanças na vida, mudanças de foco. Bem… Tenho pensado em mudar. Entendo que mudanças são processos que podem ser lentos, gradativos, ou ocorrer de forma abrupta, em especial após algum tipo de evento impactante ou trauma.
Toda vez que mudamos nos colocamos em situações novas, que nos geram apreensão, que nos tiram de um certo conforto ou estado de segurança. No entanto, entendo que quando a mudança vem para agregar, para nos melhorar ou quem sabe para nos libertar, então, ela cumpriu um propósito positivo em nossas vidas, e isso sempre é bom.
Às vezes nos agarramos a posturas, condutas ou situações sobre as quais temos a firme convicção de que são melhores para nós. Nos protegem, nos mantém dentro daquela bolha de intocabilidade dentro da qual nos sentimos tão bem em estar. Acabamos cercados de muros e com arsenal importante de armas que utilizamos para nos defender e impedir que qualquer movimento de mudança seja iniciado.
A questão é que às vezes temos que dar o braço a torcer que para viver o novo precisamos experimentar o novo. Ainda que isso envolva mudanças na maneira de pensar e agir. Ainda que isso nos deixe inicialmente desconfortáveis e com aquela sensação de estarmos mais expostos, desprotegidos, o certo é derrubar os muros que criamos e abaixar nossas armas.
No começo pode ser que não saibamos lidar muito bem com isso. Temos que matar aspectos que nos eram rotineiros, corriqueiros ou mesmo que fazíamos meio que no automático. Há sempre algo em nós que não quer morrer quando resolvemos por mudar, mas que precisamos eliminar para que a mudança se faça. Estava tão arraigado no nosso íntimo que pareciam ser parte de nós, mas não, são apenas aspectos das escolhas que fizemos ao longo de nossas vidas e que de certa forma estão tão ligados a nós mesmos que sentimos como fazendo parte de nós.
Até o dia que resolvemos deixar de carregar o hábito, o costume, a responsabilidade, ou qualquer outra coisa que não nos interessa mais que façam parte de nossa bagagem. Aquilo que não queremos mais vinculados à nossa imagem.
E quando isso acontece a vida fica mais leve, e do nada surge uma grande paz. A segurança que acreditávamos ter e que foi criada por mecanismos de defesa é substituída por uma sensação de que agora não precisamos mais nos defender, estar protegidos, porque a leveza e a paz por si só criam uma redoma saudável de tranquilidade. E é nesse momento que percebemos o quanto foi bom mudar.
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